Queda capilar e calvície: qual é a diferença?

Câmera mostrando por um ângulo de cima um homem com cabelo cheio de falhas e o seguinte texto: Saiba como identificar se é queda capilar ou calvície!

Você já passou pela experiência de lavar o cabelo ou escová-lo e, de repente, notar um punhado de fios indo embora pelo ralo? Se a resposta for sim, saiba que você não está só. Atendendo como tricologista, no meu consultório aqui no Rio de Janeiro, essa é uma das queixas que mais recebo.

Muitas pessoas chegam até mim desesperadas, achando que ficarão carecas porque o cabelo está caindo. Mas a primeira coisa que faço é tranquilizar o paciente e explicar um ponto fundamental: queda capilar e calvície não são a mesma coisa.

Embora ambas as condições afetem profundamente a nossa autoestima e a saúde dos fios, as causas, os mecanismos e as formas de tratamento são completamente diferentes. Vamos entender melhor essa distinção?

O que é a queda capilar

Para começar, precisamos desmistificar algo: perder fios de cabelo é normal. Diariamente, nós perdemos entre 50 e 100 fios de cabelo. Isso acontece porque o cabelo passa por um ciclo natural de nascimento, crescimento e repouso.

No entanto, quando há um aumento muito expressivo nessa perda, com sinais como fios espalhados pela casa, no travesseiro, nas roupas, podemos estar diante de uma condição chamada eflúvio telógeno.

Na queda capilar crônica ou aguda, o fio se desprende da raiz antes do tempo. As principais causas costumam ser reações a eventos específicos do nosso corpo ou rotina, tais como:

  • Estresse físico ou emocional intenso;
  • Deficiências nutricionais (falta de ferro, vitaminas do complexo B ou zinco);
  • Alterações hormonais (como pós-parto ou problemas na tireoide);
  • Pós-operatórios ou infecções recentes;
  • Efeitos colaterais de algumas medicações.

A boa notícia é que, na grande maioria das vezes, a queda capilar é um processo temporário e reversível. Assim que identificamos e tratamos o gatilho, o ciclo do cabelo tende a voltar ao normal.

 

O que é a calvície?

Por outro lado, a calvície (cujo nome médico é alopecia androgenética) não é um problema de fios que estão se desprendendo e caindo de uma vez. Trata-se de uma condição genética e hormonal.

Na calvície, o que acontece é um processo chamado de miniaturização folicular. A raiz do cabelo sofre a influência de hormônios (especialmente a di-hidrotestosterona, ou DHT), o que faz com que os novos fios nasçam cada vez mais finos, curtos e fracos a cada ciclo, até que o folículo pare completamente de produzir cabelo.

  • Nos homens: geralmente começa pelas famosas “entradas” ou no topo da cabeça (coroa);
  • Nas mulheres: costuma se manifestar como um raleamento difuso, principalmente na risca central do cabelo, que vai se alargando.

Diferentemente da queda, a calvície é uma condição crônica e progressiva. Ela não tem “cura”, mas tem controle e tratamento eficazes para frear a evolução e recuperar a densidade capilar.

Como diferenciar os sintomas?

Para ajudar a identificar o que pode estar acontecendo agora, vamos cruzar os principais sinais de cada condição de forma bem prática.

O volume da perda

Na queda capilar, notam-se tufos de cabelo no chão e no banho de forma abrupta. Na calvície, quase não se percebe o cabelo caindo no dia a dia; o sinal de alerta é o cabelo ficando progressivamente mais ralo e fino.

O comportamento do fio

Enquanto na queda o fio cai inteiro, saudável e com aquela pontinha esbranquiçada na raiz, na calvície o folículo vai encolhendo. Isso significa que o fio nasce cada vez menor e mais frágil, até desaparecer.

A velocidade do processo

A queda costuma surgir de repente, poucas semanas ou poucos meses após um evento gatilho (como uma virose ou um pico de estresse). Já a calvície é silenciosa, levando anos para evoluir e se tornar visível.

A evolução do quadro

Se a causa da queda for tratada, o cabelo volta a crescer normalmente. No caso da calvície, por ser uma predisposição genética, o tratamento precisa ser contínuo para manter os resultados e proteger os fios ao longo do tempo.

Como funciona o diagnóstico e o tratamento?

Como especialista, eu sempre reforço com os meus pacientes que nenhum tratamento para queda capilar ou calvície deve ser baseado no “ouvi dizer” ou em receitas milagrosas da internet. O couro cabeludo é uma extensão da nossa pele e reflete nossa saúde interna. Doenças inflamatórias ou de fundo imunomediado também podem impactar a saúde capilar, e tudo isso precisa ser investigado.

 

O diagnóstico correto é feito no consultório através da tricoscopia (um exame detalhado onde analiso o couro cabeludo com uma lente de aumento) e, se necessário, recomendo exames de sangue complementares. A partir daí, traçamos uma abordagem personalizada, que pode incluir desde loções tópicas específicas, medicamentos via oral para bloquear a ação hormonal, até terapias capilares feitas em consultório.

Quando procurar ajuda?

Se você notou que a risca do seu cabelo está abrindo, que seu couro cabeludo está mais visível ou que o volume do seu rabo de cavalo diminuiu drasticamente, é hora de investigar. Quanto mais cedo iniciamos o tratamento, melhores e mais duradouros são os resultados.

 

Cuidar da saúde dos seus cabelos é, acima de tudo, cuidar do seu bem-estar. Se você está buscando o direcionamento de uma dermatologista no Rio de Janeiro, agende uma consulta. Vamos avaliar seu caso de forma individual, acolhedora e segura para devolver a saúde ao seu cabelo.

 

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