Se tem uma queixa que aparece com frequência nos meus atendimentos é a urticária. Muitas vezes o paciente chega assustado, com placas avermelhadas e coceira intensa, sem entender exatamente o que está acontecendo com a pele e essa insegurança é compreensível. A urticária pode surgir de repente e causar um desconforto importante, tanto físico quanto emocional.
Ao longo da minha prática como dermatologista, percebo que ainda existem muitas dúvidas sobre o que realmente é a urticária, o que causa, se é contagiosa, e, principalmente, como tratar. Por isso, escrevi este artigo para te ajudar a entender melhor essa condição, desmistificar informações erradas e mostrar o que a medicina já oferece de mais atual para o controle da doença.
Vamos falar sobre tipos de urticária, causas, fatores agravantes e as possibilidades de tratamento, tudo com clareza e empatia.
O que é urticária?
É uma reação da pele, caracterizada por:
- Placas avermelhadas ou rosadas, que surgem e desaparecem rapidamente;
- Coceira intensa, às vezes acompanhada de sensação de queimação;
- Inchaços localizados (angioedema) em casos mais intensos, principalmente em lábios, pálpebras ou mãos.
Essas lesões costumam surgir de forma súbita e, em muitos casos, somem em até 24 horas, mas podem reaparecer em outros locais do corpo, num padrão transitório, porém persistente.
Urticária e dermatite: qual a diferença?
Apesar de ambas causarem coceira e lesões na pele, urticária e dermatite são condições distintas. Entender as diferenças é essencial para um diagnóstico correto e um tratamento eficaz. Veja as principais diferenças:
- Urticária: aparece de forma súbita, com placas que surgem e desaparecem em menos de 24 horas. É causada por reações alérgicas, infecções ou estímulos físicos como calor e frio.
- Dermatite: costuma ser mais persistente, com lesões que descamam, coçam e podem formar crostas. Está relacionada ao contato com substâncias irritantes ou predisposição genética.
Ambas não são contagiosas, mas exigem tratamentos distintos. Se tiver dúvida, é importante procurar uma avaliação dermatológica.
Tipos de urticária
Nem toda urticária é igual. A classificação ajuda a entender a duração e o gatilho da condição:
Urticária aguda
É aquela que dura menos de seis semanas. Geralmente está relacionada a infecções virais, uso de medicamentos, alimentos ou picadas de inseto.
Urticária crônica espontânea
Dura mais de seis semanas e pode persistir por meses ou até anos. Em muitos casos, não é possível identificar um fator desencadeante claro, o que pode ser frustrante para o paciente, mas não significa que o tratamento não funcione.
Urticária física ou induzida
É provocada por estímulos como frio, calor, pressão, suor ou exposição ao sol. Nesse tipo, as lesões surgem logo após o contato com o fator desencadeante.
O que causa a urticária?
Na maioria dos casos, a urticária é uma resposta do sistema imunológico à liberação de histamina, uma substância que dilata os vasos sanguíneos e provoca inchaço e coceira.
As causas podem incluir:
- Infecções virais ou bacterianas;
- Medicamentos (como anti-inflamatórios ou antibióticos);
- Alimentos (frutos do mar, castanhas, corantes artificiais, entre outros);
- Estímulos físicos (calor, frio, pressão);
- Doenças autoimunes (em alguns casos de urticária crônica).
A urticária é contagiosa? É perigosa?
Essa é uma dúvida muito comum no consultório. E a resposta é: não, a urticária não é uma doença de pele contagiosa. Ou seja, você não corre o risco de “passar” ou “pegar” urticária ao ter contato com outra pessoa que esteja com as lesões ativas.
Apesar de causar bastante incômodo principalmente pela coceira intensa e pelo impacto estético, a urticária geralmente não representa risco à vida. No entanto, em situações raras, ela pode estar associada a reações mais graves, como a anafilaxia, que exige atendimento médico imediato.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da urticária é clínico. Isso significa que, na maioria das vezes, não são necessários exames complexos. Durante a consulta, observo:
- Tempo de duração das lesões;
- Frequência e distribuição no corpo;
- Fatores associados ao aparecimento das placas;
- Histórico de doenças, uso de medicamentos e alimentação.
Em alguns casos de urticária crônica, exames laboratoriais podem ser solicitados para investigar possíveis causas autoimunes ou inflamatórias.
Tratamento: como controlar os sintomas?
O objetivo do tratamento é controlar os sintomas e evitar novas crises. O plano terapêutico varia conforme o tipo e a intensidade da urticária, mas costuma envolver:
- Anti-histamínicos não sedativos (de nova geração): são a base do tratamento;
- Ajustes de dose: em casos mais resistentes, aumentamos a dose dentro da margem segura;
- Imunobiológicos: em casos graves e refratários, medicamentos como o omalizumabe têm trazido excelentes resultados;
- Evitar gatilhos conhecidos, sempre que forem identificáveis.
Outras alternativas para promover bem-estar
Além do tratamento medicamentoso, oriento meus pacientes a adotarem algumas medidas que ajudam a aliviar os sintomas:
- Usar roupas leves e confortáveis;
- Evitar banhos muito quentes;
- Controlar o estresse, que pode atuar como fator agravante;
- Manter um diário de sintomas, para observar padrões.
Convivendo com a urticária: qualidade de vida é possível
Mesmo em casos de urticária crônica, é possível viver com qualidade. O tratamento contínuo e o acompanhamento com um dermatologista são fundamentais para controlar a doença e reduzir o impacto no dia a dia.
Se você busca por um dermatologista no Rio de Janeiro, estou aqui para te ajudar. Vamos cuidar do seu caso juntos, com atenção, empatia e um plano de tratamento baseado nas melhores evidências disponíveis.

