Desde que comecei a atender pacientes com hidradenite supurativa, percebo que a doença vai muito além das lesões dolorosas — ela também afeta profundamente a autoestima.
Muita gente me procura com o olhar cansado, sentindo-se invisível ou incompreendida, como se a pele falasse por eles. Por isso, adotar uma abordagem empática e acolhedora é essencial no tratamento dessas pessoas.
Recentemente, li sobre uma influenciadora que compartilhou publicamente seu convívio com a hidradenite, falando abertamente sobre lesões em áreas como axilas e virilha, e como isso impactou sua autoconfiança e visibilidade no dia a dia, ajudando a tirar o tabu que ainda envolve a doença.
Esse tipo de depoimento revela o quanto o apoio emocional é fundamental para quem vive com hidradenite.
Neste texto, apresento estratégias práticas e sem julgamentos para fortalecer a autoestima de quem convive com hidradenite.
Entenda que não está sozinho!
Entendo e escuto diariamente que viver com hidradenite envolve conviver com:
- Lesões dolorosas em áreas sensíveis, que afetam a percepção sobre o próprio corpo.
- Vergonha, medo de olhares e insegurança, especialmente em ambientes sociais ou íntimos.
- Um ciclo emocional: ansiedade, isolamento e queda de autoestima podem acelerar o aparecimento das lesões.
Estar informado por especialistas e pessoas que também sofrem com a doença, como o caso compartilhado pela influenciadora, é um primeiro passo para aliviar o peso da solidão emocional.
Pratique a autocompaixão no dia a dia
Pequenos gestos podem fazer uma grande diferença, especialmente em dias difíceis. Vestir roupas que proporcionem conforto e não causem atrito nas áreas afetadas é um cuidado simples, mas valioso.
Criar rituais de autocuidado, como um banho com sabonete suave, hidratar a pele com delicadeza e escolher roupas limpas e leves, ajuda a resgatar o bem-estar.
Além disso, permitir-se enxergar positividade, mesmo em meio às crises, também é um exercício importante. Nos dias em que a pele está mais inflamada, evite se comparar e foque em pequenos gestos de carinho consigo mesmo, como cuidar do cabelo, das unhas ou se preparar com atenção, o que já ajuda a levantar o astral e resgatar a autoestima.
Construa sua rede de apoio dentro e fora do consultório
O suporte emocional é tão importante quanto o tratamento clínico:
- Compartilhe suas inseguranças com quem confia (amigos, família, grupos de apoio);
- Procure um profissional de psicologia para te ajudar a ressignificar sentimentos como culpa, vergonha ou tristeza.
- Converse com seu dermatologista sobre o impacto emocional da doença. O acolhimento empático deve ser parte indispensável de um bom tratamento.
Transforme autoconhecimento em estratégias de bem-estar
Identifique gatilhos e crie hábitos que podem melhorar sua relação com a pele. Entre as ações práticas que você pode investir, estão:
- Rever gatilhos alimentares e inflamatórios — açúcar, álcool, estresse intenso.
- Praticar técnicas simples de relaxamento — respiração consciente, meditação ou caminhadas suaves.
- Celebrar pequenas conquistas — dias sem dor, sem lesões novas ou com momentos de paz mental.
- Evitar autojulgamento — hidradenite não é falha pessoal, e conviver com ela exige coragem diária.
Fortaleça sua identidade além da pele
A hidradenite pode marcar a pele, mas você é muito mais do que isso.
Invista em atividades que expressem sua essência: arte, estudo, música, leitura, trabalho, relacionamentos.
Redefina sua percepção: há quem diga que a doença não define quem você é, mas pode mostrar sua capacidade de resiliência e autenticidade.
É possível viver bem e com mais autoestima!
Acredite, é possível, mesmo convivendo com a hidradenite supurativa. Embora os desafios sejam reais, também existem oportunidades valiosas de autoconhecimento, fortalecimento emocional e resgate da confiança.
Essa jornada passa por cuidados médicos especializados, práticas de autocuidado e conexões verdadeiras com você mesmo(a) e com o mundo ao seu redor.
Se você está em busca de acolhimento, orientação segura e um tratamento individualizado, buscar uma dermatologista no Rio de Janeiro com experiência em hidradenite pode ser o primeiro passo para recuperar sua qualidade de vida.
Você não está sozinho(a): há caminhos possíveis para conviver com a doença e, ainda assim, se sentir inteiro(a), digno(a) e confiante. Vamos cuidar disso juntos!

