O câncer de pele é o tipo de tumor maligno mais frequente no Brasil, mas ele carrega uma característica muito importante: se for descoberto no início, as chances de cura são superiores a 90%. E como nós, médicos, conseguimos identificar problemas em uma lesão na pele antes mesmo que ela se torne um problema grave? A resposta está em um exame simples, indolor e feito na própria consulta: a dermatoscopia manual.
Muitos pacientes chegam ao meu consultório sem saber exatamente o que é aquele aparelhinho com uma luz brilhante que uso para examinar suas pintas. Hoje, quero te explicar como funciona esse rastreio e por que ele é o nosso maior aliado na prevenção do câncer de pele.
O que é e como funciona o dermatoscópio?
Imagine conseguir enxergar o que está acontecendo por baixo da primeira camada da sua pele, sem precisar de nenhum corte. É exatamente isso que a dermatoscopia faz.
O dermatoscópio manual é um instrumento que combina uma lente de aumento de alta qualidade (geralmente com zoom de 10 vezes) a um sistema de iluminação embutido especial, que pode ser de luz polarizada.
Quando encosto ou aproximo o aparelho na pele do paciente, essa luz elimina a reflexão natural da superfície cutânea. Isso me permite visualizar estruturas profundas, como a distribuição da melanina, o padrão dos vasos sanguíneos e a organização celular da pinta, que seriam completamente invisíveis a olho nu.
O passo a passo do rastreio no consultório
O exame de rastreio por meio da dermatoscopia manual é rápido, totalmente confortável e não exige nenhum tipo de preparo prévio por parte do paciente. Durante a consulta, o processo acontece da seguinte forma:
- Mapeamento visual: eu examino o paciente dos pés à cabeça, incluindo áreas que muitas vezes a própria pessoa não consegue observar em casa, como as costas, o couro cabeludo, atrás das orelhas e a planta dos pés;
- Análise individualizada: cada pinta ou sinal que chame a atenção passa pela avaliação do dermatoscópio;
- Aplicação da regra ABCDE: na análise, eu busco por sinais de assimetria, bordas irregulares, cores múltiplas, diâmetro maior que 6 milímetros e evolução (mudanças ao longo do tempo).
Com a dermatoscopia, consigo diferenciar com muita precisão uma pinta benigna de um melanoma (o tipo mais agressivo de câncer de pele) ou de um carcinoma, evitando biópsias desnecessárias e agindo rápido quando uma retirada é realmente precisa.
Com qual frequência você deve fazer esse exame?
A recomendação geral é que a dermatoscopia manual seja feita pelo menos uma vez por ano. No entanto, essa frequência pode mudar caso você se enquadre em alguns fatores de risco, como:
- Ter a pele, cabelos ou olhos muito claros;
- Possuir histórico de câncer de pele na família;
- Ter muitas pintas espalhadas pelo corpo (mais de 50);
- Já ter sofrido queimaduras solares com bolhas ao longo da vida;
- Notar alguma pinta que coça, sangra, dói ou mudou de cor recentemente.
Se você tem o hábito de se expor ao sol das belas praias cariocas, esse cuidado precisa ser ainda mais rigoroso na sua rotina de saúde.
Prevenção é o melhor caminho
Realizar o autoexame em casa, olhando o próprio corpo no espelho, é excelente para notar mudanças, mas ele não substitui o olhar técnico e a tecnologia da dermatoscopia no consultório. Agendar sua consulta de rotina para avaliar as pintas é um gesto simples que protege o seu futuro.
Se você está no Rio de Janeiro e quer realizar o seu rastreio de rotina ou tem alguma lesão que gostaria de avaliar com calma, agende uma consulta comigo. Como dermatologista no Rio de Janeiro, estou aqui para cuidar da saúde e da proteção da sua pele de forma detalhada, humana e segura.